Publicado em: 03/04/2024

"Como eu cheguei até aqui?"
"O que eu fiz para merecer isso?"

Contexto

Um dia eu acordei, o desânimo de sempre. Sair da cama significava contemplar a bagunça do apartamento, recolher ou ignorar a infinidade de roupas espalhadas pelo chão. E nem esse tipo de decisão eu era capaz de tomar.


A bagunça da casa era insuportável, mas nem de longe se assemelhava a bagunça dentro de mim. Eu não tinha vontade de fazer nada ali e, por trabalhar em modelo home office, minha produtividade descia ladeira abaixo e eu parecia não me importar.

Cheguei num ponto em que a disciplina das outras pessoas me incomodava por esfregar na minha cara que eu tinha perdido a vontade de viver. A Ana Cristina que saía da cama às 5:30 para ir pro pilates tinha morrido e se transformado num espírito que me assombrava diariamente, como nesses filmes de terror que você precisa ajudar o fantasma com alguma coisa para ele descansar em paz.

O problema do meu fantasma era claro, ele precisava de respostas para compreender "como conseguimos chegar até aqui", "onde foi que erramos", "por que não consigo sair deste estado" e a resposta que eu tinha não o satisfazia: você está com depressão de novo.

Ana Cristina Lopes

Jornalista

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Eliminar a culpa

Reconhecer que a minha vida estava uma merda significava reconhecer que eu fiz escolhas erradas e que tudo aquilo era culpa minha. A gaiola estava aberta e minha versão passarinho escolheu entrar. Não tinha alpiste, mesmo assim eu fiquei por ali. Com o tempo eu acostumei com a fome e com as grades, fazendo uso contínuo da sensação de que "era tarde demais". Não tinham nem 6 meses que eu tinha me mudado, com todas as minhas coisas, meus móveis, minha gata e minha energia para aquele apartamento. Não era cedo demais para desistir? As relações não são todas complicadas?

Eu não tinha forças para continuar, mas também não as tinha para sair dali. Minha geração não tem problemas com divórcio, com separação, mas as pessoas sempre querem saber o que deu errado e, neste processo, acabam te contaminando com a impressão deles de que você tinha encontrado sua cara metade, que vocês sempre pareceram um casal feliz.

O relacionamento abusivo tem características peculiares e o seu pilar é a confusão. Um dia o cara pisa na bola, no dia seguinte vira um príncipe encantado. Um dia te chama de puta porque sua roupa é sensual, no outro fala que tem orgulho de andar com uma mulher tão bonita por aí. O estado de confusão e as dúvidas, tiram a nossa capacidade de enxergar além da gaiola e, portanto, a capacidade de sair dela. Mas acredite, a gaiola é invisível.

Assumir a responsabilidade

Você não é responsável pela situação que viveu ou está vivendo, mas pode e deve assumir a responsabilidade sobre seu futuro.

É doloroso observar a dor e, muito frequentemente, a negação se torna uma zona de conforto. Às vezes o período que passou na gaiola te fez esquecer como é gostoso voar. Assuma a sua responsabilidade sobre seu futuro.

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